Por Carlos Piazza

Um caminho pacífico para o desenvolvimento

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Comunicar Erro

Mais de mil famílias, antes invisíveis em meio aos milhões de habitantes da cidade do Rio de Janeiro, agora existem. De fato e de direito. A conquista é dos moradores do Morro Santa Marta, em Botafogo, uma das primeiras comunidades do Rio de Janeiro a ver o narcotráfico ser erradicado de suas entranhas e o Estado reassumir o papel de garantir aos cidadãos maior segurança e qualidade de vida.

Santa Marta ganhou uma Unidade de Policia Pacificadora. Mas ganhou muito mais. Isto porque o Governo do Estado encontrou a forma ideal e predominante de fazer segurança pública: com prevenção, com uma intervenção cotidiana e persistente.

Mas a segurança é apenas um dos aspectos vividos por esta comunidade. Uma nova energia subiu ao Santa Marta. Com a ação da Polícia Militar, forças expressivas da sociedade se uniram ao poder público, num pacto em prol da cidadania. E a Light entrou de cabeça para iluminar, com o máximo empenho e a mais avançada tecnologia, os caminhos dessa transformação.

A mais significativa das intervenções da Light não está nos fios, na rede, na energia. Está em uma folha de papel. A conta de energia que o novo cliente da Light no Santa Marta recebe em casa leva mais do que informação de consumo. Leva cidadania. Agora as 1600 famílias têm endereço. Tem comprovante de residência. Tem dignidade.

O começo da conversa - O nome do morro é Santa Marta, mas por muito tempo foi chamado de “Dona Marta”, ninguém sabe direito por quê. A corruptela logo ganhou adeptos entre os não católicos e, por muito tempo, o lugar virou Dona Marta mesmo. Mas agora não: a comunidade resgatou o seu nome original, que defende com orgulho, ao lado de tantas outras conquistas que chegaram com o fim da presença do tráfico na área.

A Light, uma das parceiras de primeira hora do projeto, empenhou-se em reconstruir o sistema elétrico da área com o que há de mais moderno em tecnologia de transformadores, redes blindadas e medidores eletrônicos. Com investimentos da ordem de R$ 2 milhões nas redes e mais R$ 1 milhão em obras e equipamentos de eficiência energética entregues à comunidade (reforma de instalações, distribuição de lâmpadas e de geladeiras eficientes), a Light conquistou a confiança da população local, que hoje tem o melhor perfil de pagamento das contas de luz de toda a área de concessão.

O sentido pleno de existir - Das 1.600 famílias que vivem no Santa Marta, apenas 400 poderiam ser chamadas de clientes da Light. Devido à complexa arquitetura do morro, havia um número enorme de vielas sem nome e casas sem número. No aspecto do perfil demográfico, havia até três gerações de famílias na mais absoluta informalidade: sem documentos, sem qualquer registro, sem endereço. Pessoas invisíveis aos olhos dos institutos de estatística e que, para todos os efeitos, não estavam no mapa físico da cidade e nem do país. Enfim, milhares de cidadãos à espera de existir.

A cidadania plena é uma condição em que a população tem acesso aos serviços públicos básicos. E a eletricidade é um serviço fundamental. A Light, então, fez um pacto com a comunidade: a empresa se compromete a oferecer um serviço de qualidade e o cliente paga por este serviço. Uma via deão dupla. Um jogo franco e aberto. Uma aposta na integridade dos dois lado.

O projeto desenvolvido pela Light compreendia a completa reconstrução de todo o sistema elétrico, com substituição da fiação existente – que, além de ultrapassada, estava em estado absolutamente precário – por cabos blindados, seguros e à prova de gatos, além da substituição da rede convencional por uma nova, blindada, com transformadores ultra-modernos. Compreendia também a identificação de todas as ruas, becos e vielas do morro, com a colocação de placas com seus nomes e números em todas as casas. Esse trabalho minucioso foi realizado em conjunto com a Prefeitura do Rio.

Outro aspecto importante do projeto era a distribuição de lâmpadas econômicas e a substituição de geladeiras antigas por novas, com melhor perfil de consumo, sem custo algum para as famílias. E também qualquer reforma de instalação que fosse necessária dentro das residências. Houve muito trabalho. Mas também muito diálogo.

Comunicação direta e transparente - A Light foi desenvolvendo um trabalho totalmente novo de comunicação com os moradores. O diálogo, que começou com a Associação de Moradores, acabou entrando em cada casa.

Além de folhetos especialmente desenvolvidos para mostrar, com total transparência, o que cada um ganhava com o projeto, a comunidade tinha pleno espaço para se manifestar, tirar dúvidas, falar com quem quisesse da Light, nas reuniões que foram promovidas na quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Unida do Santa Marta. A Light manteve contato permanente com a população. Inclusive seus altos executivos, que ouviam os questionamentos dos moradores.

Fazendo valer o compromisso – O morro passou a ter vez. O Santa Marta começou a respirar novos ares. As coisas mudaram para melhor. Mas agora os moradores também teriam que pagar por isso. E nem todos estavam preparados.

O trabalho de conscientização e de comunicação precisou ser eficiente, claro, para que pudesse gerar confiança. A Light treinou então agentes sociais da própria comunidade, encarregados de visitar as casas, explicar o novo sistema, detalhar o que estava nos folhetos e explicar os ganhos reais de se pagar por um serviço público de qualidade.

Tensões e alívios – Após desenhar um plano especial de pagamento das contas e orientar os moradores de cada etapa, havia agora um teste pela frente: como a primeira conta de luz seria recebida. Era o que iria dizer se o projeto daria certo ou não. O veredicto se traduziu no pagamento espontâneo de 95% das contas, 66% das quais até o vencimento. Este é um dado importante, já que a média atual de toda a área de concessão da Light é de 50% das contas pagas até o vencimento.

Orgulho e compromisso - O trabalho da Light junto à comunidade Santa Marta – que gradualmente se eleva à condição de bairro, com investimentos da Prefeitura e do Governo do Estado em saúde, segurança e urbanização – é um caso exemplar de pacto transparente entre a comunidade e uma empresa concessionária de serviços públicos, no qual o respeito mútuo pelo cumprimento da parte de cada uma é a medida do sucesso real.

A atuação dos governos do Estado e do Município no processo de pacificação das comunidades pode ser considerada, sem demagogia, histórica. O que está em resgate neste tipo de atuação não é somente a segurança. Elas ajudaram a devolver ao Josés, Marias e Joãos o direito a condições básicas de cidadania. Ajudaram a devolver o orgulho dessa gente. E é de cabeça erguida que os antes invisíveis para o Estado começam a se transformar em vozes, em braços, em atitudes, em profissionais. Em forças motrizes do desenvolvimento. E é disso que o Rio precisa.

Entrevista com Carlos Alberto Piazza – Superintendente do Público da Light

1) Como uma iniciativa como esta pode reverter em melhorias para meio ambiente?
CPiazzaA mais importante das ações realizadas no Santa Marta é a de educação. Entramos em uma comunidade onde quase todos os moradores não pagavam pela energia elétrica e, por isso, usavam energia de forma perdulária, sem compromisso algum com o meio ambiente. Eram lâmpadas, equipamentos eletro-eletrônicos e ar condicionado ligados ininterruptamente. Mais do que os cofres da Light, o que estava sendo deteriorado era o planeta. A água é bem escasso. A energia tem que ser utilizada de forma eficiente. Poder entrar na comunidade e oferecer informação sobre o uso eficiente de energia e ainda proporcionar melhorias para esta população acabou gerando ganhos eternos para o meio ambiente. Trocamos as geladeiras por outras eficientes, trocamos lâmpadas fluorescentes por outras incandescentes. Realizamos reforma elétrica em quase todas as residências e ensinamos como consumir de forma ordenada, inteligente. Este foi um ganho para a Light, para as pessoas e, principalmente, para o planeta.

2) Como a Light encara a questão da sustentabilidade?
CPiazzaA sustentabilidade faz parte da missão da Light e é colocada em prática em todas as ações da empresa. A Light acredita que o desenvolvimento sustentável só é possível quando consegue atuar respeitando o meio ambiente, a sociedade e o seu próprio negócio. O trabalho no Santa Marta é um bom exemplo de atuação sustentável. As melhorias nas redes e no serviço, o relacionamento com a comunidade e as medidas de incentivo ao uso eficiente trouxeram benefícios financeiros para a empresa, benefícios para os clientes e para a comunidade e benefícios para o meio ambiente.

3) Como esta atuação continua no futuro?
CPiazzaAssim como no Santa Marta, a Light continuará junto aos governos nos projetos de pacificação das comunidades. Já entramos, com a mesma atuação, na Cidade de Deus, no Morro da Babilônia e no Chapéu Mangueira. Trabalhar o uso eficiente da energia nas comunidades está no DNA da empresa. A Light atua em comunidades desde 1976, no processo de eletrificação de favelas. Atuamos com o Pronai, de 1999 a 2003 e, desde 2003, com o Projeto Comunidade Eficiente, em 286 comunidades. É um trabalho constante, necessário e gratificante.


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